Ao telefone, fazia-se passar pelo engenheiro Fernando Vila, representante de uma grande empresa espanhola que estava a recrutar operários especializados para obras em países africanos.
Na realidade, o burlão e uma ex-companheira, sua cúmplice, enganaram dezenas de desempregados que lhes entregaram dinheiro, acreditando tratar-se de propostas de trabalho legítimas.
O casal, ele de 35 anos e ela de 26, vai começar a ser julgado no Tribunal de Santarém por 24 crimes de burla relativa a trabalho ou emprego.
Neste processo, os arguidos enganaram candidatos das zonas de Coruche, Benavente, Almeirim, Lavre, Salvaterra de Magos, Vendas Novas e Santa Comba Dão, mas têm vários outros processos semelhantes a correr nas comarcas de Tomar, Mação, Ourém, Lisboa, Porto e Setúbal, entre outras.
Nos falsos anúncios que publicaram em plataformas de emprego e na Internet, o casal fingia estar a recrutar operários para vários ramos da construção civil, com remunerações elevadas que variavam entre os 2 e os 20 mil euros, incluindo o pagamento de despesas de alimentação, alojamento e viagens de avião.
A cada um dos interessados, e depois de pedir cópias do curriculum e dos documentos pessoais, os burlões exigiam o depósito de uma quantia de 114,70 euros numa conta bancária aberta pela arguida, e que seriam para o pagamento do visto de entrada nos países estrangeiros de destino.
Segundo as contas do Ministério Público (MP), terão obtido uma quantia total que ronda os 2.750 euros, aproveitando-se da situação de desemprego e fragilidade social dos burlados entre outubro e dezembro de 2013.
No mês seguinte, o burlão combinou um encontro com todos os candidatos ao emprego no campo de futebol da Fajarda, concelho de Coruche, onde iria entregar os contratos de trabalho e os bilhetes das passagens de avião para Cabo Verde.
O arguido nunca apareceu e deixou de atender o telefone, tendo os números de telemóvel que usava ficado inativos.
































