Um burlão que ludibriou 24 desempregados do concelho de Coruche, fazendo-se passar por um engenheiro de uma empresa espanhola que estava a recrutar mão-de-obra para países africanos, foi condenado a três anos e meio de prisão, em pena suspensa.
Na decisão do coletivo de juízes do Tribunal de Santarém, pesou o facto de Mário Neves, de 37 anos, ter confessado os factos, e de ter atualmente um emprego e uma vida estável.
Num total de sete condenações que constam do seu cadastro, todas relacionadas com crimes de burla, esta é quinta vez que o arguido beneficiou da suspensão da pena.
O arrependimento e o facto de estar “socialmente inserido”, segundo o acórdão, convenceu o coletivo de juízes que Mário Neves não voltará a arquitetar novas fraudes e esquemas para enganar os mais incautos.
Neste caso concreto, o arguido publicou falsos anúncios em jornais e na Internet a recrutar operários especializados para obras em África, com remunerações mensais que variavam entre os 2 e os 20 mil euros, e o pagamento de alimentação, alojamento e viagens de avião.
Ao telefone, o burlão dizia chamar-se Fernando Vila, engenheiro de uma grande empresa espanhola, que pedia um depósito de 114,70 euros para o pagamento do visto de entrada nos países estrangeiros de destino.
Com este esquema, segundo a Acusação do Ministério Público (MP), o arguido conseguiu juntar cerca de 2.750 em outubro e novembro de 2013, em dinheiro foi depositado numa conta bancária titulada pela sua companheira na altura.
Esta mulher, de 28 anos, foi absolvida porque o arguido confessou que agiu sozinho, negando a sua cumplicidade na burla.
A fraude foi descoberta no mês seguinte, quando o burlão combinou um encontro com os 24 candidatos no campo de futebol da Fajarda, concelho de Coruche, onde iria entregar os contratos de trabalho e os bilhetes das passagens de avião para Cabo Verde.
O arguido nunca apareceu e deixou de atender o telefone, tendo os números de telemóvel que usava ficado inativos.































