O empresário de nacionalidade nepalesa que está acusado de 23 crimes de tráfico de pessoas e auxílio à emigração ilegal disse no Tribunal de Santarém que era “amigo” dos trabalhadores agrícolas que o Serviço de Estrangeiro e Fronteiras (SEF) resgatou de uma herdade em Paço dos Negros, no concelho de Almeirim, em condições desumanas.
Na primeira sessão do julgamento, que decorreu durante a tarde desta quinta-feira, 6 de abril, o arguido desmentiu os factos que lhe são imputados na acusação do Ministério Público (MP), onde é suspeito de ter explorado 23 compatriotas na apanha de morangos.
Recorde-se que junho de 2016, as vítimas, todas em situação ilegal no país, foram encontrados a coabitar num anexo de três divisões sem cozinha, janelas, água potável, saneamento básico e o mínimo de condições de habitabilidade.
Segundo explicou o arguido ao coletivo de juízes, estas condições são até de “classe média” para os próprios trabalhadores nepaleses, que viviam num estado pior no seu país de origem.
O homem, de 35 anos, explicou que foi procurado pelos trabalhadores, que lhes levava comida duas a três vezes por semana, nunca deixando que lhes faltasse a alimentação, e que até pernoitou algumas vezes neste anexo da Herdade dos Morangos, onde tinha os restantes trabalhadores por “amigos”.
Sobre o dinheiro que lhes retirava dos salários para o pagamento da estadia e da alimentação, explicou que o mesmo foi acordado com os queixosos, e que estes eram livres de partir sempre que o desejassem.
“Haverá pagamentos aos trabalhadores por um valor mínimo, mas não há de certeza esclavagismo nem outras situações criminais das quais os arguidos estão acusados”, salientou no final da sessão António Brandão de Melo, advogado deste empresário nepalês.
“A montanha pariu um rato, e isso é evidente face à prova que se produziu aqui”, acrescentou o advogado, que acredita na absolvição do seu constituinte.
O julgamento vai prosseguir com a inquirição do segundo arguido nepalês, funcionário da empresa que contratou as vítimas, e do empresário português que é proprietário da Herdade dos Morangos, no concelho de Almeirim.
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