O homem, de 48 anos, vai começar a ser julgado no Tribunal de Santarém por três crimes de violência doméstica, tendo já no seu cadastro condenações por furto e dois homicídios na forma tentada, um deles qualificado.
Os crimes remontam a 2006, quando, na sequência de uma rixa ocorrida num café na ilha de São Miguel, nos Açores, o arguido esfaqueou um emigrante de leste e um amigo deste, que viria a morrer.
O agressor acabou por cumprir quase 13 anos de cadeia nos estabelecimentos prisionais de Vale de Judeus e Coimbra, motivo pelo qual a família se mudou para o continente.
O terror da esposa, de 52 anos, e das filhas, de 20 anos, começou pouco tempo depois do arguido ter sido libertado, em novembro de 2019.
Profundamente ciumento e desconfiado, o homem acusava a mulher de ter vários amantes, batia-lhe, dirigia-lhe palavrões ofensivos e chegou a encostar-lhe uma faca ao pescoço.
As filhas, quando tentavam intervir a favor da mãe, eram também agredidas a murro e pontapé, e ameaçadas de morte.
A família libertou-se do agressor em agosto de 2020, num dia em que o arguido obrigou a mulher a entrar no carro para procurar um alegado amante, e acabou por se dirigir a uma loja para comprar facas.
A mulher não entrou no estabelecimento porque não tinha máscara de proteção contra a COVID-19, e aproveitou o facto de ter ficado sozinha para pedir boleia a uma estranha até à GNR de Ourém.
Já no posto da Guarda, telefonou às filhas e disse-lhes para fugir de casa.
O arguido foi detido no dia seguinte, e colocado em prisão preventiva à ordem deste processo.
O casal contraiu matrimónio em 1999, quando o arguido já revelava problemas com consumo de drogas pesadas.
Nessa altura, também eram frequentes os episódios de violência doméstica, que só cessaram quando foi preso pelos crimes de homicídio.































