A maioria dos comandantes das corporações de bombeiros do Médio Tejo está preocupada com as notícias que têm surgido sobre a intenção do Governo voltar atrás com o modelo organizativo da Proteção Civil, e enviou uma carta aberta à Ministra da Administração Interna, ao Secretário de Estado da Proteção Civil e a Presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, onde expressa a sua opinião sobre o assunto.
A carta aberta, a que a Rede Regional teve acesso, é assinada pelos comandantes das corporações de Abrantes, Caxarias, Entroncamento, Fátima, Ferreira do Zêzere, Minde, Vila Nova da Barquinha, Alcanena, Sardal e Tomar, todas pertencentes ao Comando Sub-regional do Médio Tejo, que abrange a zona Norte do distrito de Santarém.
Para os dez subscritores, reverter a lei orgânica da ANEPC que substituiu os comandos distritais pelos comandos sub-regionais “pode comprometer os avanços alcançados, enfraquecer a cooperação entre as entidades envolvidas na proteção civil (socorro e salvamento) e pôr em causa todo o trabalho de proximidade com os autarcas e suas comunidades”.
O mesmo documento defende as alterações implementadas em janeiro de 2023 e considera que, desde então, os comandos sub-regionais “têm desempenhado um papel crucial na coordenação eficaz entre os corpos de bombeiros, autarquias e as comunidades intermunicipais, fortalecendo a resposta a emergências e a proteção das populações”.
“A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo é um exemplo notável desta colaboração bem-sucedida”, dizem os comandantes, recordando que ainda recentemente foi anunciado um investimento de cinco milhões de euros na aquisição de onze veículos operacionais e uma embarcação, de entre outras obras em infraestruturas e aquisição de equipamentos, destinados às diversas corporações de bombeiros” da região.
Além disso, recorda o mesmo documento, “a CIM do Médio Tejo aprovou um orçamento de 21 milhões de euros para 2025, o mais elevado de sempre, destinando uma parcela substancial para a gestão integrada dos meios de proteção civil”, compromisso financeiro que “evidencia a importância atribuída à segurança e bem-estar das comunidades locais”.
“É fundamental lembrar que a proteção civil não se resume apenas a incêndios rurais, como muitos que defendem esta mudança organizativa parecem acreditar. A proteção civil abrange um vasto conjunto de situações que exigem uma resposta coordenada e eficaz e que, salvo melhor opinião, é claramente maximizada e potenciada através da atual organização do sistema de proteção civil, através das sub-regiões”, diz o documento.
Os dez subscritores da carta aberta, como responsáveis operacionais (Comandos) dos Corpos de Bombeiros que representam, terminam apelando ao Governo que reconsidera a intenção de reverter a lei, “valorizando, assim, os progressos obtidos e mantendo a estrutura organizativa que tem demonstrado eficácia na proteção das nossas comunidades, apoiada nos corpos de bombeiros, ressalvando que são estes o principal pilar do socorro em Portugal”.
































