Um idoso de 82 anos, que tinha acabado de ficar viúvo, entregou cerca de 242 mil euros a um burlão que tem um longo cadastro criminal.
O alegado vigarista está atualmente a cumprir pena de prisão nas Caldas da Rainha por outro processo da mesma natureza, e vai começar a responder por burla qualificada no Tribunal de Santarém.
Este caso começou em julho de 2009, quando o burlão, Américo Lopes, arrendou o rés-do-chão da casa onde o idoso residia, em Torres Novas.
A vítima, segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP), a que a Rede Regional teve acesso, tinha perdido a esposa há poucos meses e estava bastante debilitado psicologicamente.
O burlão foi ganhando a confiança da vítima, e ficou a saber que o idoso era também proprietário de dois imóveis destinados a escritórios no Entroncamento, e que pretendia arrendar.
Fazendo-se passar por um agente imobiliário com muitos contatos no ramo, Américo Lopes inventou um esquema em que dois investidores espanhóis pretendiam comprar o prédio todo, por 600 mil euros.
Para que o negócio se concretizasse, o idoso teria que fazer obras nos seus imóveis, transformando-os em andares para habitação, e comprar uma terceira fração no mesmo edifício.
Desempenhando o papel de intermediário neste logro, Américo Lopes, de 55 anos, fez com que o idoso lhe entregasse, ao longo de 10 meses, um total de 67 entregas em dinheiro e cheques, que somam mais de 242 mil euros.
O burlão fingia estar a usar o dinheiro para as obras, licenciamentos, burocracias bancárias, e até para subornar um engenheiro da Câmara do Entroncamento, dando a entender que a venda seria feita em breve.
O MP refere ainda que as obras efetivamente realizadas nos imóveis da vítima andarão pelos 10 mil euros, e foram executadas por dois irmãos de Américo Lopes.
O caso só foi descoberto em julho de 2010, quando a vítima, ao ficar sem dinheiro para entregar ao vigarista, pediu um empréstimo a um amigo, que, por sua vez, alertou o filho do idoso.
Ao perceber que tinha sido descoberto, Américo Lopes fugiu para parte incerta, até ser apanhado para cumprir pena por sequestro e roubo, num processo da Comarca do Baixo Vouga, Aveiro.






























