No dia em que assinalaram oficialmente o seu 185º aniversário, esta sexta-feira, 31 de julho, os Bombeiros Municipais de Santarém receberam a Fénix de Honra, a mais alta condecoração atribuída pela Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP).
“Temos um passado cheio de história que queremos continuar a honrar por muitos e bons anos”, afirmou o atual comandante da corporação, Nuno Oliveira, que aproveitou a cerimónia e a presença de vários responsáveis de instituições ligadas ao socorro para lançar um debate sobre as dificuldades que os corpos municipais de bombeiros enfrentam atualmente.
Segundo Nuno Oliveira, é urgente “promover uma revisão da legislação”, uma vez que ela própria provoca uma discriminação entre as associações humanitárias e os municípios que têm os seus próprios corpos de bombeiros profissionais.
O Estado apoia diretamente com verbas as associações que gerem as corporações voluntárias, mas o mesmo já não acontece em relação aos corpos municipais, frisou o responsável.
E há outros problemas que se sentem a vários níveis, como na progressão das carreiras profissionais dos elementos do corpo ativo, nas dificuldades em contratar pessoal ou até no financiamento das corporações, que, no caso dos corpos municipais, sai inteiramente dos orçamentos das Câmaras.
“Além de não podermos fazer novas contratações, estamos obrigados a reduzir pessoal e os bombeiros contam para esse rácio”, lamentou o presidente da Câmara de Santarem, Ricardo Gonçalves.
Sublinhando o esforço que o município faz em manter a sua corporação totalmente operacional, o autarca lembrou ainda ainda que a autarquia “faz ponto de honra” em apoiar também as associações humanitárias dos corpos voluntários do concelho.
A falta de financiamento às Câmaras com bombeiros municipais por parte do governo foi uma das questões referidas por Domingos Morais, da Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais (ANBP), que lamentou o facto de “não haver vontade política” para resolver os problemas que afetam diariamente estas estruturas.
“A falta de ingressos devido à obrigatoriedade de emagrecimento da função pública reflete-se no socorro com a falta de operacionais, bem como com o envelhecimento dos que estão no ativo”, avisou ainda Domingos Morais.
“O quadro legislativo que temos não responde de forma nenhuma às necessidades dos corpos municipais”, referiu Mário Silvestre, o comandante operacional distrital de Santarém, para quem é urgente e necessária “uma regulamentação efetiva das carreiras profissionais dos bombeiros” e que os “quadros de pessoal deixem de pesar nos quadros orgânicos das Câmaras”.
Profissionais lamentam falta de apoio da Liga dos Bombeiros Portugueses
Mesmo afirmando não querer levantar polémica, o comandante dos bombeiros municipais de Santarém aproveitou a presença na cerimónia do representante da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Adelino Gomes, para lamentar a falta de apoio que os corpos municipais sentem por parte deste organismo.
“Dá a impressão que a Liga está muito mais interessada em resolver os problemas das associações humanitárias do que dos bombeiros profissionais”, afirmou Nuno Oliveira, dando como exemplo a recente passagem dos bombeiros de Abrantes de municipais para voluntários.
Mesmo com o recado escutado durante a cerimónia, coube a Adelino Gomes fazer a entrega da Fénix de Honra aos Bombeiros Municipais de Santarém, que a colocaram de imediato a medalha no estandarte da corporação.
































Uma resposta
Mesmo não me parecendo ser o local mais indicado – um espaço comercial – salvo melhor opinião, para se comemorar um digno aniversário de um digno Corpo de Bombeiros, neste caso os Municipais de Santarém e muito menos levantarem-se questões antigas e polémicas num espaço privado, mesmo assim sinto-me obrigado a felicitar o Comandante dos Bombeiros Municipais de Santarém pelas questões levantadas, que estão adormecidas desde que no Cartaxo, no dia 25 de Novembro de 2009, na última reunião do FOCOBAL – Fórum dos Corpos de Bombeiros da Administração local, foi decidido pelos autarcas e comandos acabar-se com o FOCOBAL mudando a estratégia da defesa dos Municípios com Corpos de Bombeiros da Administração local para o Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Só que dessa decisão nada resultou. Porquê?