A administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Lezíria está a desviar enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários (CSP), afetos habitualmente aos centros de saúde, para prestarem serviço no Hospital de Santarém e fazerem face ao “pico” de utentes provocado pelo aumento de casos de gripe e de outras infeções respiratórias.
A medida, comunicada aos enfermeiros numa reunião realizada esta segunda-feira, dia 5, provocou descontentamento e até alguma indignação nestes profissionais de saúde, que expuseram o caso ao Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
A coordenadora da Direção Regional de Santarém do SEP, Helena Jorge, confirmou à Rede Regional que a comunicação do conselho de administração não correu bem e causou “algum melindre” entre os enfermeiros, considerando que houve “deficiência de comunicação”, só resolvida na tarde de hoje.
Segundo Helena Jorge, foi requisitado um enfermeiro por cada unidade, que irão prestar serviço numa área criada no hospital para acolher os chamados internamentos sociais, de doentes que já deveriam ter tido alta médica, mas não têm para onde ir.
A coordenada do SEP diz que na conversa de hoje com o conselho de administração recebeu garantia que a situação vai durar apenas duas semanas e que, em primeiro lugar, será chamada a “prata da casa”, ou seja, enfermeiros que já prestaram serviço no HDS, situação que não tinha sido referida na primeira reunião.
Contactado pela Rede Regional, o Conselho de Administração do HDS, reconhece “uma afluência mais elevada de utentes ao Serviço de Urgência”, (…) enquadrada num aumento significativo de casos de gripe e de outras infeções respiratórias, fenómeno que se verifica a nível nacional e que exerce uma pressão acrescida sobre os serviços de urgência”.
“Esta situação exige uma gestão mais rigorosa e, em determinados momentos, a implementação de medidas excecionais, garantindo sempre a prestação de cuidados de saúde em segurança”, diz a administração, adiantando que “entre essas medidas incluem-se o ajustamento de atividade assistencial programada não urgente e a reorganização interna de camas e áreas de internamento, de forma a otimizar a resposta às situações agudas”.
Ainda de acordo com a administração, as escalas de enfermeiros já estão elaboradas até domingo, não se prevendo problemas como os ocorridos no início da semana.
CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOS DESFALCADOS
Com esta transição de enfermeiros dos Cuidados de Saúde Primários para o HDS, há algumas valências que ficarão limitadas, casos dos tratamentos domiciliários.
Várias fontes ouvidas pela Rede Regional queixam-se de uma situação perto do limite em alguns centros de saúde, com alguns médicos a terem de atender cerca de 40 doentes por turno e com a Linha de Saúde SOS 24 a fazer marcações de 15 em 15 minutos, o que dá um tempo médio de pouco mais de 10 minutos por doente.
Vários profissionais queixam-se de falta de orientações atempadas e deste ano não terem sido tomadas medidas de reforço assistencial como em anos anteriores, em que alguns centros de saúde chegaram a estar a funcionar entre as 8h00 e as 22h00 (atualmente fecham às 16h00), permitindo retirar muitos doentes das urgências hospitalares.
“Mandam os azuis e verdes para nós, mas agora retiram-nos enfermeiros. Estamos a fazer das tripas coração, mas não sei quanto tempo vai dar para aguentar”, desabafa uma das fontes ouvidas pelo nosso jornal.
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