A falta de enfermeiros na ULS Lezíria, nomeadamente no Hospital Distrital de Santarém, pode vir a agravar-se nos próximos meses, com a saída de vários destes profissionais para o setor privado, sobretudo para o Hospital da Luz Ribatejo, que deverá abrir ainda este ano em Santarém.
O alerta é da coordenadora da Direção Regional de Santarém do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Helena Jorge, que dá conta de vários problemas com a contratação destes profissionais e a saída de muitos outros devido à falta de atratividade da carreira no setor público. “O SNS não oferece condições aos enfermeiros”, refere.
“Aqui ninguém quer ficar”, acrescenta Helena Jorge, justificando com os baixos salários, o excesso de horas extraordinárias e a falta de condições, entre outras razões. A sindicalista diz que ainda recentemente foram contratados 24 novos enfermeiros para a ULS Lezíria, sendo que, destes, 3 ou 4 já saíram e outros poderão sair em breve, seja para outros hospitais, como é o caso do Centro Hospitalar do Médio Tejo, seja para o futuro Hospital da Luz Ribatejo, que deverá abrir ainda este ano.
“Não os podemos obrigar a ficar”, reforça Helena Jorge, que considera fundamental que se olhe para a carreira de enfermeiro e se comece as pensar em oferecer outras condições a estes profissionais.
Enfermeira há 33 anos, Helena Jorge recorda os 15 anos de congelamento de salários e a lei que só permite progressões de oito em oito anos e com acréscimos salariais pouco significativos, o que deixa “a faca e o queijo” na mão dos privados que, embora não tenham salário base superior, acabam por pagar mais e oferecer melhores condições de trabalho.
Helena Jorge garante que as escalas de horários mos hospitais públicos são feitas à custa de horas extraordinárias e revela que, ainda recentemente, a ULS Lezíria devia cerca de 5 mil dias de trabalho aos enfermeiros. Admite que a administração está a fazer um esforço para corrigir a situação, já tendo pago uma parte e estando em negociações para tentar pagar o resto, mas diz que é insustentável, por exemplo, que os enfermeiros continuem a ter apenas um domingo de folga de 4 em 4 semanas.
A enfermeira lamenta ainda que estas situações de pico de utentes aconteçam ano após ano e culpa a gestão do SNS, que não prepara atempadamente os períodos de Inverno. “Há uma falta gravíssima de profissionais e as limitações impostas pelo Governo à contratação em nada ajudam”, conclui Helena Jorge.
































