As obras do novo Serviço de Anatomia Patológica da Unidade Local de Saúde (ULS) da Lezíria foram inauguradas na manhã desta sexta-feira, 20 de dezembro, no Hospital de Santarém, contando agora não só com um espaço adequado à sua função, mas também com alguns equipamentos de ponta nesta área, que permitirão uma melhoria da eficácia do serviço.
Uma das faces mais visíveis destas obras, e mais esperada pelos utentes, é o regresso das autópsias, que nos últimos tempos estavam a ser feitas no Centro Hospitalar do Médio Tejo, com demora e espera de vários dias para se puderem fazer os funerais. Agora há todo uma zona dedicada a este serviço, que permite, além dos exames aos mortos, conservar em frio um total de 24 cadáveres.
Mas a Anatomia Patológica é mais que autópsias. É toda uma especialidade médica dedicada ao diagnóstico das patologias através do estudo macroscópico, microscópico e molecular. A diretora do Serviço de Anatomia Patológica da ULS Lezíria, Isabel Andrade, explica que o serviço é “fundamental” para muitas outras especialidades, fornecendo informação sobre fatores prognósticos e preditivos de resposta terapêutica, nomeadamente nas doenças oncológicas. O médico anatomopatologista é responsável por determinar o diagnóstico para que a restante equipa médica estabeleça o plano terapêutico.
Segundo a especialista, em 2023, o Serviço de Anatomia Patológica do Hospital de Santarém ajudou a detetar 1.308 novos casos de cancro, entre os quais 209 cancros da mama, 173 do tubo digestivo, 119 da próstata, 72 do colo útero e 66 do pulmão.
A presidente do Conselho de Administração da ULS da Lezíria, Tatiana Silvestre, referiu que a remodelação do serviço, entre obras e novos equipamentos, custou cerca de 2,75 milhões de euros, e aproveitou a presença da secretária de Estado da Gestão da Saúde, Cristina Vaz Tomé, para elencar novos investimentos que o Hospital de Santarém, que já tem cerca de 4 décadas necessita.
Segundo explicou, a rede águas traz problemas quase diários ao hospital e a rede elétrica começa a ser insuficiente para todas as necessidades, necessitando também de intervenção a curto prazo. A recuperação de algumas funcionalidades perdidas no serviço farmacêutico, a construção de um novo edifício para tratar doentes oncológico, assim como melhorias no serviço de urgência, são outras das necessidades da unidade de saúde.
Cristina Vaz Tomé admitiu que no setor da saúde “há muito trabalho a fazer”, mas referiu que o foco do executivo está em “ter o máximo feito até final 2025”. A secretária de Estado da Gestão da Saúde defendeu o aumento de uma política de parcerias que potencie a complementaridade com os setores social e privado, garantindo uma reposta de qualidade aos utentes.
Referindo que não é possível aumentar muito mais o orçamento do setor da saúde, a governante disse que as melhorias terão de ser conseguidas muito à custa do controlo e eficiência dos serviços.
O presidente da Câmara de Santarém, João Teixeira Leite, elogiou a “proximidade” dos membros do atual Governo, que não hesitam “chegar mais próximo das pessoas”, mas não escondeu que é necessário que o estado central dote as várias ULS de melhores recursos e maior capacidade para responder às necessidades da população.
































