Hélder Silvano é um professor abrantino, licenciado em românicas (Português-Francês). Foi docente na actual escola secundária Dr. Manuel Fernandes, e fez até parte do conselho directivo deste estabelecimento de ensino antes de entrar na política autárquica.
Sempre teve o hobbie da música, e nota-se esse gosto na sua sala de trabalho, pela presença de diversos instrumentos musicais. Numa das gavetas de sua casa, tem mesmo uma mão cheia de músicas feitas, instrumentações.
Foi também um dos principais dinamizadores do extinto Festival da Canção Jovem de Abrantes, organizado pelo Clube Náutico da cidade, que deixou recordações de grandes noites nas décadas de 80 e 90.
Mesmo envolvido em todas estas actividades, começou a estudar os fenómenos meteorológicos desde os finais da década de 70 do século passado, depois de um grande, grande susto durante uma súbita tempestade de Verão. Mantendo-lhe sempre o gosto, em 1994 entra num novo desafio que, anos mais tarde, aguçaria ainda mais o seu apetite pela meteorologia.
Helder Silvano aceitou integrar as listas do PS nas autárquicas de 1993 e, na equipa de Nelson de Carvalho, viria a ser vereador do pelouro da cultura e desporto até 2001. Muito ligado à música, criou, enquanto vereador, a Orquestra Ligeira (Municipal) de Abrantes (OLA). Duas dezenas de jovens músicos liderados pelo então maestro Miguel Borges (hoje vice-presidente da Câmara Municipal de Sardoal), actuaram um pouco por todo o país. A orquestra viria a deixar de funcionar depois de ter deixado a autarquia, no início deste século.
Mas voltemos atrás. Em 1995, um grande incêndio atingiu os concelhos de Mação, Sardoal e Abrantes. Os ventos inconstantes, as temperaturas altas, o sofrimento das populações e a incapacidade dos bombeiros em terem dados locais de meteorologia foram angustiantes. O tempo meteorológico volta a atravessar-se no seu caminho, agora de forma diferente.
Os factores meteorológicos constituem sempre uma grande interrogação nos fogos florestais de Verão em Portugal. Dias com temperaturas superiores a 30º, ventos a soprar a mais de 30 quilómetros / hora e humidade abaixo dos 30% podem indiciar riscos elevados para a ocorrência de incêndios. Tendo em conta o seu gosto pela matéria e o que tinha estudado depois do susto de 1978 ou 1979, pede ao presidente da Câmara para ficar com o pelouro da Protecção Civil, o que acontece no seu segundo mandato (1998-2002).
Como vereador debateu-se sempre com dificuldade em aceder a dados concretos do Instituto de Meteorologia e Geofísica, de tal forma que começou a pensar em adquirir uma primeira estação meteorológica, que acabou por comprar em 1999.
Depois de deixar a política autárquica, dedicou-se a outra das suas paixões, o vídeo. Apesar disso, nunca mais deixou de lado a meteorologia. Continuou a investigar e acabou por adquirir uma estação mais actualizada, que ainda hoje mantém. Foi aprumando o seu site na internet, em http://meteoabrantes.no-ip.info.
Hoje, quem entra no site tem acesso a um inúmero rol de dados actuais do estado do tempo em Abrantes, desde previsões a dados estatísticos, imagens de satélite, radares meteorológicos, alertas e alarmes, e ligações a muitas instituições portuguesas, europeias ou americanas, entre outra informação.
Quando a estação debita, os dados são certos. E as suas indicações constituem sempre uma mais valia para protecção civil ou, por exemplo, para uma comissão de festas que queira saber se vai ou não chover. Helder Silvano tornou-se, por mérito próprio, numa espécie de senhor local do tempo.
E, venha a fazer o que quer que seja, garante que nunca vai deixar de acompanhar a meteorologia. E se suspeitar de condições do tempo adversas, fará a ponte e deixará a sua indicação aos serviços de protecção civil, independentemente dos relatórios e leituras oficiais do Instituto de Meteorologia.
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