Os vereadores eleitos pelo PS na Câmara de Santarém emitiram um comunicado onde acusam o executivo municipal de falta de planeamento e de uma estratégia global para a antiga Escola Prática de Cavalaria (EPC), a propósito da recente proposta de concessão de uma parte do espaço para a instalação de uma unidade hoteleira.
O PS, que votou contra a proposta na última reunião de Câmara, vem explicar que o chumbo ao projeto “não foi por ser contra o desenvolvimento ou o investimento”, mas sim “porque decisões desta importância não podem ser tomadas desta forma”.
“É impossível não sentir indignação quando se pretende avançar para a concessão de parte deste património sem antes apresentar uma visão integrada para todo o complexo”, lê-se no documento, onde os vereadores da oposição acusam o executivo liderado por João Teixeira Leite de não ter “qualquer problema em entregar um espaço histórico desta importância sem um debate sério e sem um planeamento adequado”.
“Não queremos ser cúmplices de uma decisão tomada à pressa, sem estudo, sem estratégia e sem respeito pelo valor histórico daquele espaço”, afirmam os eleitos socialista, que acrescentam que “primeiro, expliquem aos scalabitanos qual é o projeto para toda a antiga EPC. Depois discutiremos se faz sentido ter ali um hotel, se deve ser noutra zona ou se, simplesmente, não deve existir”.
“Ao longo de duas décadas, nunca foi apresentado um plano global que definisse claramente o futuro daquele património”, sublinham ainda os vereadores, recordando que a “EPC tem sido tudo e mais alguma coisa: serviços que entram e saem, entidades que se instalam e depois abandonam o espaço, decisões avulsas sem qualquer estratégia consistente. Enquanto isso, os edifícios degradam-se cada vez mais e perde-se, ano após ano, um património histórico absolutamente único”.
Os subscritores do documento acrescentam ainda que há “factos que tornam todo este processo ainda mais incompreensível”, como o da planta que serviu de informação sobre o espaço a concessionar ter sido disponibilizado aos vereadores apenas na manhã da própria reunião, o que impediu qualquer análise prévia, e que “a área que consta da planta agora proposta não está de acordo com a proposta que foi colocada a Discussão Pública (passou a incluir um edifício antes consignado a “Palácio da Justiça 3 + Sede do IPS”).
O comunicado dos eleitos socialistas analisa também a posição do vereador do Chega, que votou favoravelmente à instalação do hotel depois de ter apresentado uma proposta de instalação de uma Escola de Equitação nas antigas cavalariças da EPC.





























