A apresentação do projeto do novo funicular de São Bento à Estação da CP de Santarém, feita esta segunda-feira, 21 de julho, na reunião da Câmara Municipal de Santarém, “entornou o caldo” entre a maioria PSD e a oposição do Chega e PS, com acusações de propaganda, eleitoralismo e fantasia.
Manuel Afonso (PS), criticou o valor pago pela autarquia por este estudo (73 mil euros), e o facto de ele ser apresentado afora, a dois meses e meio das eleições, em período eleitoral. “Se ganhar a câmara está tudo resolvido. Mas e se perder? As pessoas que vierem a seguir podem ter outras opções”, disse dirigindo-se ao presidente da autarquia, João Teixeira Leite.
O vereador socialista, classificou a apresentação da responsável pela empresa que fez o estudo como “super romântica” e admitiu uma mudança ou mesmo o fim do acordo de governação com o PSD devido ao que considera uma “atitude de campanha eleitoral”
“Queremos que a câmara seja governada e tenha condições de normalidade, mas não se podem estar a assumir compromissos destes”, disse Manuel Afonso.
A vereadora do Chega, Manuela Estêvão, também não gostou do que se passou, mas começou por ser irónica com a intervenção da bancada socialista. “O vereador Manuel Afonso até parecia a Manuela Estevão”, disse. Mantendo a ironia, a eleita do Chega disse que estes projetos que estão a ser anunciados, mas que não vão ser executados durante o mandato lhe fazer lembrar quando foi à Disneylândia com filhos. “Esta fantasia e ilusão custa 73 mil euros ao erário público”, acrescentou.
Na resposta, João Leite disse que a apresentação de hoje resulta de uma reunião do executivo municipal, em que a vereadora havia dito que não havia planeamento na Câmara de Santarém. O presidente lembrou ainda que o que hoje foi apresentado foi o desenvolvimento do que já havia sido apresentado publicamente a 29 outubro do ano passado, no Teatro Sá da Bandeira. “Este é um plano estruturante para a década”, disse João Leite, referindo que “aos próximos executivos cabe ou não executar”.
Sem se querer intrometer na questão política, a responsável pela empresa que está a desenvolver o projeto – Mobilidade PT – esclareceu que estes planos hoje são peças como os PDM’s. “O Sr. presidente pode não estar cá no próximo mandato, mas o plano está registado e tem de se manter durante 5 anos. Os próximos que vierem, peço desculpe por dizer assim, têm propostas em plano, que está feito e é obrigatório por lei”, explicou.
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