Depois de dois anos consecutivos a bater recordes nos números da afluência do público, a Feira Nacional de Agricultura (FNA) teve este ano menos visitantes, mas aumentou o seu “nível de qualidade e de dinâmica” dentro do sector agrícola e na sua vertente profissional.
“Tivemos a maior feira de sempre em termos de ocupação de área (150 mil metros quadrados) e um nível muito elevado no que se refere à qualidade dos expositores, à maquinaria apresentada e à tecnologia de ponta que foi mostrada”, afirmou Luís Mira, o secretário geral da CAP.
O balanço é francamente positivo, segundo o responsável da organização, apesar de uma quebra estimada de 20 a 25 mil visitantes em relação a 2014, ano em que se registou uma afluência superior a 200 mil pessoas ao longo dos nove dias de feira.
“Esta foi a terceira maior feira de sempre em termos de visitantes, mas nós não podemos ambicionar crescer todos os anos”, explicou Luís Mira, para quem as altas temperaturas registadas nos primeiros dias da FNA, a rondar os 35 graus, “não foram convidativas” e acabaram ter uma “influência negativa”.
No que se refere à vertente profissional, a FNA, que contou este ano com 710 expositores diretos, “demonstrou toda a evolução tecnológica da agricultura portuguesa, onde já é comum o recurso a computadores, drones e sensores. Ou seja, essa imagem do burro, do arado e do agricultor de enxada na mão já é coisa do passado”, referiu Luís Mira.
A feira foi palco de 33 conferências e jornadas técnicas em cinco salas que funcionaram em permanência, e o pavilhão da alimentação, um espaço que tem despertado cada vez mais interesse junto do público que visita a feira, acolheu 77 demonstrações de cozinha, um número limite para a sua capacidade.
Mesmo sem ter uma ideia concreta do volume de negócios que se concretiza durante a FNA, “faz-se muito negócio durante a feira, na ordem das dezenas de milhões de euros, e nós sabemos isso porque os expositores querem voltar no ano seguinte”, afirmou ainda Luís Mira.
Preço dos bilhetes “não é desculpa para não vir à feira”
Luís Mira rejeita a ideia de que o preço dos bilhetes diários – 7 euros, mais um euro que em 2014 – esteja diretamente relacionada com a quebra do número de visitantes.
“Sabemos que as pessoas atravessam dificuldades económicas, mas o preço é mais que justo, tendo em conta tudo aquilo que a feira tem para oferecer. Onde é que se assiste a um concerto do Anselmo Ralph ou dos The Gift por 7 euros?”, questionou o responsável, salientando ainda que há descontos consideráveis para quem opte pelas cadernetas de bilhetes ou pelos livre-passes, e que nenhum outro certame oferece um dia livre aos visitantes, como é tradição na Feira da Agricultura.
Luis Mira referiu ainda que a feira “tem que ser sustentável” face aos “custos enormes” que a sua organização implica e “se possível ainda dar lucro”, e lembrou que o Cnema suportou, nos últimos 4 anos, cerca de 500 mil euros de aumento do IVA de 6 para 23%, não fazendo refletir este custo no preço dos bilhetes.
Largadas poderão ser antes dos concertos em 2016
A organização da FNA admite, na edição de 2016, introduzir mudanças nos horários das largadas de toiros, realizando-as antes dos espetáculos musicais.
“As largadas de toiros são o espetáculo mais atrativo da feira, e nós queremos valorizar as tradições ribatejanas. Nesse sentido, vamos estudar a hipótese de as realizar antes dos concertos para que o público que quer assistir às largadas não esteja à espera do fim dos espetáculos”, explicou.
Luís Mira acrescentou ainda que a organização, no próximo ano, vai continuar a investir na melhoria do espaço e na criação de mais conforto para os visitantes e de melhores condições para acolher os animais que passam os nove dias da feira em Santarém.
Para além das cerca de 350 galinhas da granja da CAC, estiveram em exposição permanente 557 animais e passaram pelo certame outros 446 exemplares, entre toiros, vacas, cabrestos e cães, entre outros.




























