De Abrantes a Vila Franca de Xira, pelo rio Tejo abaixo, há centenas de agricultores ribatejanos que perderam culturas inteiras nestas cheias vindas fora de época.
Com os campos da lezíria completamente alagados de água, não é possível ter ainda uma ideia concreta dos prejuízos, mas as associações do setor garantem que são bastante avultados e que tendem a agravar-se com esta paragem forçada das campanhas agrícolas.
Rosário Fernandes é um exemplo de quem ficou sem nada daquilo que tinha semeado: ervilhas, favas, couves e feijão, entre outros hortícolas que produz num terreno no campo de Alpiarça.
"Este ano, nem sequer os cheguei a provar", disse à Rede Regional esta agricultora, que, além do que vai cultivando para consumo próprio, vende parte da sua produção no mercado municipal da vila há cerca de 40 anos.
"Eu estava a pensar em semear milho num terreno que aí tenho, mas já nem o vou fazer. Não vale a pena, porque os terrenos estão alagados e isso atrasa tudo", acrescenta Rosário Fernandes, explicando que, em Alpiarça, há vários agricultores "que já compraram até as sementes e que vão ter que as mandar fora porque já não as podem deitar à terra".
"Há muita gente com grandes prejuízos por aqui", afirma.
Atrasos nas culturas de Primavera difíceis de recuperar
Para os grandes produtores, as perdas de rendimento estão não só nas culturas de Inverno que ficaram submersas, mas também nos atrasos que as cheias vão provocar nas sementeiras da Primavera, precisamente aquelas em que o Ribatejo é uma região bastante forte.
"O facto da cheia ter vindo fora de tempo prejudicou ainda mais os agricultores, que vão ter que esperar que os terrenos fiquem secos para semear o milho, o tomate ou o melão. Estes atrasos têm reflexos depois nas vendas", explicou Amândio Freitas, da Federação dos Agricultores do Distrito de Santarém.
"O que está debaixo de água já está perdido, mas agora ainda vamos ver como se porta o tempo e como secam os terrenos para ver o que ainda se consegue fazer", acrescenta o mesmo responsável, que antevê um ano extremamente complicado para quem vive da lavoura.
Segundo Amândio Freitas, as associações ligadas ao setor agrícola vão começar a reunir durante esta semana "calcular os prejuízos com maior exatidão".
































