Um grupo de pais de atletas dos escalões de formação da União Desportiva de Santarém (UDS) está indignado com a gestão que a Viver Santarém está a fazer no campo Chã das Padeiras, recentemente dotado de um novo tapete de relva que não estará a crescer nas melhores condições.
Em causa está o facto da empresa municipal vir há vários meses a condicionar o acesso dos cerca de 150 miúdos à prática de futebol no relvado, e autorizar agora a realização de jogos de seniores do Rugby Clube de Santarém (RCS), a contar para o campeonato nacional.
"É bom lembrar que o investimento aqui realizado foi feito com o dinheiro de todos nós, e que a não preservação do recinto será considerado por todos como uma incorreta gestão do mesmo por parte da autarquia", afirma um grupo de pais de atletas numa carta aberta, onde temem que "a curto prazo, ambas as modalidades fiquem sem espaço adequado à prática desportiva".
Nesta carta tornada pública, os subscritores recordam as dificuldades que têm sentido para manter as equipas jovens da UDS em competição desde a sementeira da nova relva, que se iniciou no Outono de 2012.
Com a interdição do campo principal, de acordo com os queixosos, os miúdos foram obrigados a treinar num terreno improvisado atrás das bancadas do Chã das Padeiras e na Ribeira de Santarém, em que ambos, sobretudo no Inverno, são verdadeiros "batatais" que não oferecem as condições mínimas para a prática do futebol.
Para os jogos das provas oficiais, foi disponibilizado o campo sintético da Moçarria, tendo sido o clube e os próprios pais a suportar os acréscimos financeiros das deslocações.
O novo tapete foi inaugurado no dia 12 de dezembro, mas o que era para ser "uma prenda de Natal" para as crianças da UDS transformou-se logo "numa miragem", uma vez que a utilização foi-lhes vedada até 17 de Janeiro, dia em que a seleção nacional de sub20 disputou em Santarém um jogo cariz particular.
Após esta partida, a Viver Santarém continuou a impor à UDS um limite de horas de utilização semanal do campo para treinos e jogos, alegando o estado de fragilidade da relva e do próprio terreno.
A indignação dos signatários da carta aberta ganhou maiores proporções a partir do momento em que descobriram que o relvado do Chã das Padeiras vai servir para os jogos caseiros da equipa sénior do Rugby Clube de Santarém (RCS).
"Que fique bem claro que nada se tem contra as crianças e jovens que praticam rugby, já que elas têm exatamente os mesmos direitos das que praticam futebol", esclarecem os pais dos jogadores da UDS, que não deixam de acusar a Viver Santarém pelo que consideram ser uma má gestão do espaço, sublinhando que poderá estar em causa a destruição do próprio relvado e o esfumar do investimento que a autarquia realizou neste espaço desportivo.
"A nossa principal preocupação é preservar o relvado"
"Para nós, as questões levantadas na carta são tranquilas, uma vez que a nossa primeira preocupação é a preservação do relvado", disse à Rede Regional o administrador executivo da Viver Santarém, Luís Arrais, explicando que a utilização do relvado está a ser acompanhada em permanência por técnicos da empresa com capacidade para determinar a carga que a relva aguenta.
Segundo o mesmo, tal e qual como as equipas de formação da UDS têm direito a um número semanal de horas para treinos e jogos, também os seniores do Rugby Clube de Santarém passarão a disputar os seus jogos no Chã das Padeiras "sempre que o campo tenha condições para isso".
"Infelizmente, ainda não é possível fazer uma utilização plena da relva, o que nos obriga a estipular as horas de utilização de cada clube consoante o relvado o permite", explicou ainda o responsável, sublinhando "a excelente relação de colaboração e cooperação" que tem existido entre a empresa municipal e a direção da UDS na utilização do campo.
Elogiando também a abertura e a compreensão do RCS, Luís Arrais adiantou ainda à Rede Regional que o jogo de rugby dos seniores previsto para domingo, 3 de fevereiro, já foi adiado devido à falta de condições do relvado, e que o Chã das Padeiras vai apenas receber um jogo de rugby de formação, frente a uma equipa do Luxemburgo.
A Rede Regional contatou a direção da UDS, que vai reunir na noite desta terça-feira, 29 de janeiro, e remeteu para amanhã uma posição sobre o assunto.































