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O “velho” e os “putos”

matias filhos

 

RODRIGO, MÁRIO E LEONARDO, UMA FAMÍLIA COM FUTEBOL NOS PÉS

Aos 42 anos, Mário Matias, jogador do Centro Cultural Recreio e Desporto Moçarriense, é uma das grandes referências do futebol distrital. Em cerca de 25 anos de futebol sénior, passou por clubes como União Desportiva Santarém, Clube Desportivo Amiense e Associação Desportiva Fazendense mas há cerca de uma década voltou a “casa” para representar o Moçarriense.

A carreira de futebolista devia ter terminado no ano passado – houve festa de despedida e tudo – mas o “bichinho” falou mais alto e este ano voltou a calçar as chuteiras para ajudar o clube da sua terra a ficar na I divisão distrital de Santarém.

Mas não é só pela idade que Mário é um jogador diferente. A família Matias cresceu e há mais dois com jeito para a bola. Leonardo, o mais velho, tem 18, e apesar de ainda ter idade de júnior, já joga com os seniores. Rodrigo, o mais novo, tem 16, já passou pela formação do Benfica e agora está também nos juvenis do Moçarriense.

Matias, pai, refere que a sensação de jogar ao lado do seu filho é “indescritível”, mas explica que é o filho que sofre mais, porque está “sempre a puxar por ele.

Ao longo da sua longa carreira, Mário Matias foi colecionando títulos: campeão distrital de juniores (UD Santarém), campeão nacional de seniores – antiga 3ª divisão (UD Santarém), campeão distrital de seniores 1ª Divisão (AD Fazendense), vice-campeão distrital de seniores com subida ao nacional (CD Amiense), vencedor da Taça do Ribatejo (CD Amiense), e duas vezes campeão de serie da segunda distrital e subida de divisão (CCRD Moçarriense).

“O que o motiva a jogar com 42 anos é o prazer que tenho pelo futebol, e principalmente, por ainda sentir que posso ajudar o meu clube e a minha terra”, refere.

Relativamente à qualidade do futebol jogado no “distrital” de Santarém, Mário Matias considera que baixou de qualidade. “Apesar de haver melhores campos e melhores condições, penso que antigamente havia mais jogadores de qualidade”, afirma.

matiasQuando “arrumar” as botas, Matias pensa continuar ligado ao futebol. “Eu já arrumei as botas no final da época passada, mas devido a alguns problemas com a quantidade de jogadores no início da época, o mister pediu para regressar. Agora tenho um sonho que é jogar mais uma época para poder entrar em campo com os meus dois filhos, para acabar em grande”, diz embevecido, acrescentando que não tem nenhum curso mas espera “continuar ligado ao futebol seja em que função for”.

Sobre o ambiente no grupo de trabalho, Matias diz à Rede Regional que é muito bom e a equipa muito unida. “Eu costumo passar a mensagem que os balneários ganham jogos. Se nós vamos entrar em campo para defrontar outra equipa, não podemos ter adversários dentro da nossa casa. Por isso é que todas as equipas costumam dizer que defrontar a Moçarria nunca é fácil”, comenta.

Relativamente às condições de trabalho proporcionadas pelo clube, Mário Matias reconhece que a direção só não dá mais porque não pode. “Temos um campo sintético, melhoramos os balneários, temos um dos melhores massagistas e recuperadores de jogadores do distrito (Rui Bastos), com o qual temos um protocolo para todos os escalões, e ultimamente fizemos uma bancada coberta para poder receber melhor os nossos sócios, amigos e quem nos visita”, refere.

Em casa de três futebolistas não se fala só futebol, até é raro, como afirma o chefe de família. “Pode parecer mentira mas em casa é muito raro falar de futebol. Sempre foi assim, fica tudo no campo de futebol”, garante.

Quanto ao objetivo do Moçarriense nesta época, o “velho” diz que é só um: conseguir a manutenção. “Penso que vamos conseguir, apesar de sabermos que vai ser uma luta até ao fim. Mas o que nos dá ainda mais força é que toda a gente antes do início do campeonato nos dava como condenados, e andamos na luta, contra equipas com o orçamento 2, 3, 4 vezes superior. O que nos dá um enorme prazer é que ninguém ganha dinheiro, e todos os anos temos uma equipa competitiva”, completa.

Dado a idade que tem (42 anos), Mário Matias afirma que dentro do campo e nos balneários toda a gente o chama de “velho”, inclusivamente a maior parte dos adversários. Mas o que mais o orgulha na carreira “é o respeito e admiração que consegui conquistar ao longo dos anos. Não há único sítio que não vá jogar que não me conheçam e que me tratem bem. Ao longo destes 26 anos a jogar futebol não tenho um único inimigo por causa do futebol. Aliás, criei muitas amizades para a vida. Em relação aos árbitros é a mesma coisa”, refere, acrescentando que já disputou perto de 800 jogos e marcou cerca de 350 golos.

E para jogar os 90 minutos, ainda há pernas, perguntámos. “Por acaso é muito raro não disputar os 90 minutos”, completa Matias, fazendo questão de deixar uma mensagem para casa:

“Não podia deixar de mencionar e agradecer à minha família por tudo o que tem feito por mim, especialmente a minha mulher, porque já há 3 anos que eu digo que vai ser o último e continuo a jogar. Ela compreende e apoia em tudo o que eu preciso”, termina.

Filhos de peixe sabem nadar

matias leonardoPara completar este trabalho não poderíamos deixar de falar com os filhos de Mário Matias.

Leonardo, de 18 anos, começou a jogar no Moçarriense e até hoje sempre foi lá que jogou. É defesa esquerdo mas pode desempenhar outras posições e tem como ídolo no futebol Cristiano Ronaldo. Por isso é que joga com o seu antigo número, o 17.

Quando, pela primeira vez, jogou lado a lado com seu pai, diz que sentiu “uma enorme alegria por poder partilhar o campo” com ele.

Como a maioria dos jovens da sua idade, Leonardo diz que “ser profissional do futebol é um dos seus maiores sonhos e agradece ao pai por o corrigir naquilo em que errou para poder melhorar.

matias rodrigoJá Rodrigo, o mais novo, tem 16 anos e além do Moçarriense também já representou o S.L Benfica (sub-9) e o seu ídolo dorme no quarto ao lado. “O meu ídolo sempre foi e sempre será o meu pai e foi por essa razão que comecei a usar o número 5”, afirma.

Rodrigo joga a médio centro e diz que não dispensa os conselhos do pai sobre futebol. “Depois dos jogos, ele explica-me o que é que eu tenho que corrigir para poder melhorar e conseguir jogar cada vez melhor”. Ensinamentos importantes para, um dia, poder ser futebolista profissional.

Grácio dos Santos

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