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Nuno Carrapato e o sonho destruido por uma lesão

nuno carrapato

Esteve muito próximo de ser internacional mas uma grave lesão impediu que concretizasse o grande sonho de vestir a camisola das quinas. Agora, aos 38 anos, Nuno Carrapato defende a baliza do Fazendense na I divisão distrital de Santarém e fez o balanço da sua carreira à Rede Regional.

“Aconteceu tudo no dia 1 de janeiro de 2004. Lesionei-me sozinho num treino e fiz rotura total de ligamentos cruzados do joelho. Foi num momento decisivo na minha carreira, depois tive uma difícil e demorada recuperação e só ao fim de 18 meses me senti recuperado”, explicou Nuno Carrapato, explicando assim como terminou o sonho de ser um dos três guarda-redes no Europeu de 2004, disputado em Portugal, juntamente com Ricardo e Quim.

Era selecionador Luis Filipe Scolari e, nessa altura, Nuno Carrapato estava no Nacional da Madeira a realizar aquela que, provavelmente, foi a sua melhor época. “Estávamos em 4º lugar na I Liga e conseguimos nessa época, 2003/04, o acesso à Liga Europa. Sentia que naquela temporada seria o ano da minha afirmação e inclusive falava-se da minha saída para um dos 3 grandes”, recorda.

Apesar de tudo, esclarece, não guarda rancor desse momento, apenas tristeza. “Acredito que se não aconteceu foi porque não tinha que acontecer”, diz.

Agora, o guarda-redes ribatejano, para manter a forma, vai jogando até sentir-se fisicamente capaz de o fazer. “No dia em que sentir  que não estou em condições serei o primeiro a dizê-lo”.

Além de defender a baliza do Fazendense, Nuno Carrapato está também na Escola de Futebol FootKart onde coordena todo o treino de guarda-redes de crianças dos 5 aos 13 anos. Também, ainda a Madeira, coordenou toda a formação do Nacional (das  escolinhas aos juniores).

Como explica à Rede Regional o seu objetivo é ficar ligado ao futebol como treinador/ coordenador de guarda-redes. “Ainda, há dias surgiu a possibilidade de viajar até ao Catar para fazer parte de um projeto de treino de guarda-redes jovens, dos 12 aos 18 anos, mas faltava-me um nível de treinador (tenho o I nível) que vou concluir brevemente”, refere.

Sobre o emblema que representa diz que o objetivo do Fazendense na atual época “passa por melhorar a classificação da época anterior (4º lugar). Sabemos das nossas qualidades e das dificuldades que vamos encontrar, respeitamos os nossos adversários com muita humildade  e trabalho. Se pudermos ficar no top no final não vamos rejeitar essa possibilidade mas, acima de tudo, sabemos o que queremos e para onde vamos”.

Nuno Carrapato com Vítor Baia
Nuno Carrapato com Vítor Baia
Relativamente às condições de trabalho na equipa que representa, Carrapato refere no Fazendense há condições fantásticas, humanas e materiais. “Não nos falta nada. O presidente e a direção cumprem rigorosamente com o prometido. No treino, temos um treinador (Mário Nelson) com métodos de trabalho muito próximos de divisões profissionais, muito competente e seguro das suas ideias. E temos no plantel jogadores com qualidade para jogarem noutros campeonatos. Neste momento, acredito que seja muito difícil gerir um clube amador devido à crise. Imagino que as verbas sejam contadas aos cêntimos.  Nas Ligas profissionais, embora não com a abundância de outros tempos, os apoios são bem diferentes”, analisa.

Relativamente à qualidade do futebol praticado no distrital de Santarém, o guarda-redes do Fazendense, diz que é bom. “Existem excelentes treinadores, jogadores, árbitros e agentes desportivos, todos com uma enorme vontade de vencer e o fato de termos mais que uma equipa a lutar pelo título é exemplo disso. No nosso distrito, os jogos são disputados ao limite e na maioria das vezes sempre com resultados imprevisíveis. No jogo, se não estivermos na plenitude das nossas capacidades, poderemos pôr em causa o nosso trabalho semanal”, conclui.

 
BILHETE DE IDENTIDADE

Nome: NUNO  Miguel CARRAPATO  Gonçalves Jacinto

Naturalidade: Almeirim

Nascimento: 06.07.1976

Clubes que representou: U. Almeirim, U. Montemor, Sp. Covilhã, Torreense, Peniche, Machico, Nacional da Madeira, União da Madeira, Caniçal, Pontassolense, Ribeira Brava e Fazendense.

Estreia na I Liga: época 2002/03, jogo Nacional, 0 – Maritimo, 0 (15.09.2002)
Situação contratual: até final da época

Grácio dos Santos

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