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Gonçalo Silva explica razões da saída do Fazendense

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A Associação Desportiva Fazendense está a ser uma das grandes surpresas, pela negativa, no campeonato distrital da 1ª divisão da Associação de Futebol de Santarém. Quando estão decorridas 18 jornadas e faltam apenas 8 para o termo do campeonato, a formação de Fazendas de Almeirim ocupa o 13º lugar, estando a lutar pela manutenção na divisão principal, quando no inicio da época estava englobada no lote dos potenciais candidatos ao título.

Gonçalo Silva, de 34 anos, o segundo treinador da época nas Fazendas de Almeirim, onde esteve cerca de três meses, demitiu-se esta semana do cargo de treinador da equipa e explicou à Rede Regional o que o levou a sair do clube.

 

RR – Como entende a atitude de os seus ex-jogadores não jogarem com qualidade por que não querem?

GS – Não compreendo o teor da pergunta nem em que factos se baseia ao mencionar que os jogadores não jogam com qualidade porque não querem… No entanto, como presumo que se esteja a referir à escassez de resultados positivos, devo referir que assumo a responsabilidade de não ter alcançado resultados, no mínimo, satisfatórios. O treinador é o líder e, como tal, o responsável máximo por tudo o que se passa dentro de campo. Quando a equipa não atinge resultados, isso deve-se ao facto do treinador, neste caso específico eu, não ter conseguido retirar o melhor da equipa e consequentemente desse facto se ter reflectido no fraco rendimento a nível colectivo e individual.

RR – Muitos deles trabalharam consigo na época passada, no Coruchense… Conhecia-os bem…

GS – Sim, é um facto. Mas o capítulo Coruchense ficou encerrado no final da época passada, que foi repleta de um sucesso praticamente inédito no futebol distrital. O contexto em que nos “reencontrámos” na presente época não é comparável nem me parece lógico ou relevante estabelecer qualquer tipo de ponte entre o passado e o presente, até porque o plantel do Fazendense não é constituído apenas por jogadores ex-Coruchense.

RR – Há algum atraso no pagamento dos subsídios aos jogadores?

GS – Que eu tenha conhecimento não.

RR – Como era a atitude dos jogadores nos treinos?  Era igual à dos jogos?

GS – Todas as unidades de treino decorreram com normalidade, os jogadores corresponderam na grande maioria das ocasiões ao que lhes foi solicitado. Infelizmente, nos jogos a produtividade foi diminuta e daí resulta a péssima posição que o clube ocupa na tabela classificativa.

RR – Teve algum desentendimento com algum jogador?

GS – Nunca! E parece-me muito importante frisar este aspecto, para evitar qualquer tipo de especulação. Não ocorreu qualquer episódio de falta de respeito ou cordialidade.

RR – A equipa, ainda, tem possibilidade de se manter na 1ª divisão?

GS – Claro que sim! Apesar de uma série de resultados menos positiva e da equipa se encontrar num lugar desconfortável, temos que ser realistas e referir que o 8º classificado se encontra a apenas 3 pontos. Recordo que ainda estão em disputa 24 pontos… e, se me permite, é importante sublinhar que o Fazendense está nos quartos-de-final da Taça do Ribatejo.

RR – O presidente Botas Moreira terá dito que “os jogadores parecem sinaleiros dentro do campo”. Concorda com esta imagem?

GS – Como treinador do Fazendense nunca comentei qualquer tipo de afirmação proferida pelo presidente. Como calcula, não será agora na qualidade de ex-treinador que vou comentar… Até porque, apesar de termos trabalhado/convivido apenas durante 3 meses, entre nós ficou uma relação de grande respeito e cordialidade.

RR – É verdade que recusou receber a importância  a que teria direito por achar que não tinha apresentado serviço  ?

GS – Essa é uma questão que fica entre mim e o presidente. Quero apenas sublinhar o facto de me considerar um treinador honesto e competente, que entra nos projectos para lhes acrescentar qualidade, sustentada sempre em resultados, constituindo assim uma mais-valia para os clubes. Como os resultados ficaram muito aquém do expectável optei por sair, por julgar e acreditar que o meu trabalho deveria ter apresentado resultados mais consistentes ao fim de 3 meses.

RR – O seu futuro?

GS – O meu futuro passa no imediato por cuidar da minha família, que felizmente, dentro de poucos dias será aumentada com o nascimento da Madalena… No que diz respeito ao futebol, naturalmente que a época 2015-2016 está encerrada, mas para a próxima tenho como objectivo voltar ao activo, já que me é muito difícil viver sem futebol…

 

 

Grácio dos Santos

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