Os protestos contra as decisões dos árbitros são uma condicionante sempre presente nos jogos de futebol mas, ao longo da época, parece haver sempre alturas mais complicadas. No distrital de Santarém, nos últimos tempos, tem-se assistido a protestos de vários agentes desportivos e clubes em relação ao trabalho dos árbitros, casos dos treinadores do Fátima, Rio Maior, Moçarriense, e U. Abrantina, para citar apenas alguns.
A Rede Regional quis saber o que pensam os árbitros destas criticas e falou com o presidente do Conselho Regional de Árbitros de Santarém, Fernando Silva, que, amavelmente, se dispôs a esclarecer esta e outras questões relacionadas com o organismo a que preside.
RR – Em sua opinião, a que se deve este descontentamento verificado pelos vários agentes desportivos? Haverá uma má formação ou a qualidade dos árbitros de Santarém não será a melhor?
FS – A crítica, desde que justa e sustentada, contribui para que o nosso trabalho tenha cada vez mais qualidade. Respeitamos todos os agentes desportivos, como esperamos que todos respeitem também a nossa missão. Na arbitragem, tal como no desporto em geral, trabalhamos todos para melhorar, ainda que por vezes, as coisas corram menos bem.
A formação dos nossos árbitros tem sido a grande aposta do conselho. O árbitro dos nossos dias tem que ser possuidor de sólidos conhecimentos técnicos assim como de um conjunto muito alargado de competências a nível psicossocial. O plano de formação anual inclui, para além de matérias estritamente técnicas, temas como liderança, gestão de conflitos, ética e deontologia, gestão de tempo, gestão do stress, análise SWOT, nutrição e modelos de jogo, entre outros, ou seja, aos árbitros são proporcionadas sessões de formação de âmbito alargado, úteis não só para a sua vida desportiva mas também pessoal e profissional.
Existe também uma plataforma online de aprendizagem que permite aos árbitros aceder a milhares de questões sobre temas técnicos. Santarém é o segundo distrito na utilização desta ferramenta, a seguir a Setúbal, o que atendendo à nossa dimensão considero extraordinário.
RR – Serão então os treinadores, dirigentes e jogadores que não estarão bem preparados para acatar as decisões das equipas de arbitragem?
FS – É um pouco de tudo, não há um só culpado. A cultura desportiva tem vindo a evoluir, tal como a sociedade em geral. O contexto sócio económico atual também não ajuda, e muitas vezes as pessoas acabam por utilizar o futebol como escape, o que pode propiciar alguns excessos.

RR – Quantos árbitros possui, em funções, a AF Santarém? É um número suficiente para as necessidades?
FS – Temos cerca de 160 árbitros. Sim, o quadro foi significativamente renovado nos últimos cinco anos, existe um grande número de jovens árbitros com grande qualidade e potencial, que garante a sustentabilidade a médio prazo.
RR – Os jogos do “distrital” são vistos por observadores?
FS – Sim. No entanto apenas são observados os árbitros em condições de progressão a nível nacional. No nosso distrito, as CAT’s – Comissões de Apoio Técnico de Futebol /e de futsal e os observadores têm um papel fundamental na formação dos árbitros. Nos distritais existem diferentes formas de avaliar o desempenho e todas as nossas estruturas de apoio são fundamentais no crescimento dos árbitros a nível da formação. São eles que ajudam o Conselho de Arbitragem a definir o plano de formação mais adequado de modo a melhorar cada vez mais a nossa arbitragem.
RR – Que habilitações têm de ter estes para desempenhar tal função?
FS – Os observadores, assim como as CAT’s do nosso distrito, são constituídas por técnicos de arbitragem com largos anos de experiência na arbitragem nacional e distrital.
RR – Como analisa a qualidade dos árbitros de Santarém no “distrital”? E nas provas nacionais?
FS – A qualidade dos nossos árbitros tem vindo a melhorar cada vez mais. Para este facto muito tem contribuído não só o trabalho desenvolvido pelo Conselho de Arbitragem desde o início das suas funções – outubro de 2011 – mas também os dois Centros de Treino que estão oficializados pela FPF: Centro de Treinos do Entroncamento e de Almeirim, que funcionam todas as 3ªs e 5ªs feiras, de julho a maio de cada época desportiva.
De salientar também a importância dos dois núcleos de árbitros que temos em atividade: NAFRN – Núcleo de Árbitros de Futebol do Ribatejo Norte e NALT – Núcleo de Árbitros da Lezíria do Tejo, que mensalmente promovem diversas ações de formação.
RR – Mas o Conselho Regional de Santarém já esteve melhor representado a nível nacional…
FS – Depende da perspectiva. Se olharmos para os árbitros da liga, é verdade que temos apenas um AA – Árbitro Assistente, mas, no conjunto, somos dos distritos com mais árbitros nos quadros nacionais, o que dada a nossa dimensão é muito positivo. O mesmo acontece a nível da qualidade que nos posicionamos acima da média, o que nos deve orgulhar enquanto distrito.
Destaco que a nível do futebol, para além do AA da Liga, o CA de Santarém tem a nível nacional mais 10 árbitros dos quais 5 estão em estágio: 2 para acesso à Liga Profissional e 3 para acesso ao Campeonato Nacional de Seniores. No futsal, a nível nacional temos 6 árbitros, estando também 2 em estágio: 1 de acesso ao escalão máximo e outro para acesso aos Campeonatos Nacionais.
Para além da formação contínua que temos promovido em diversas áreas sócio desportivas, outra das nossas missões foi a de rejuvenescer o quadro de árbitros, corrigindo simultaneamente alguns aspectos estruturais que nos impediam de evoluir a um ritmo aceitável e comprometia a nossa competitividade. Estamos num período de mudança de paradigma a nível da gestão da arbitragem nacional e distrital. O papel do conselho de arbitragem é o de acompanhar, o que de melhor se faz a nível nacional, de modo a podermos recolocar Santarém num patamar ainda mais alto. Temos árbitros com enorme potencial que nos garantem que o futuro é promissor.
RR – Há quantos anos está no Conselho de Arbitragem? E como presidente?
FS – Estou no CA como presidente desde outubro de 2010, ano em que fui convidado pelo ex-presidente da AFS Rui Manhoso. Presentemente, estou no 2º mandato que termina este ano, tendo sido convidado pelo atual presidente da AFS, Eng. Francisco Jerónimo. Refiro que nunca fui árbitro, tendo iniciado as minhas funções de dirigente associativo, como Secretário Geral na Associação de Futebol de Santarém na época de 1979/1980.
Destaco também as óptimas relações que o CA tem mantido com a direcção da AFS, factor que decisivamente tem também contribuído para o desenvolvimento da arbitragem distrital e, por consequência, nacional.
Grácio dos Santos





























