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Um homem vai responder em tribunal pelo homicídio do próprio irmão, que morreu na sequência de uma briga entre ambos, na Chamusca, vila onde sempre viveram.

O arguido, José Estorninho, garante que aceitará a pena que a justiça lhe quiser aplicar, mas garante que “nunca quis matar ninguém”.

“Se for cadeia, vou para a cadeia, porque se fazemos as coisas temos que pagar por elas. Mas tem que haver qualquer coisa, um relatório médico, que explique a morte do meu irmão”, afirma José Estorninho, que quis contar à Rede Regional a sua versão dos factos, para que quem o conhece na zona não lhe apontar o dedo de ânimo leve e por “boatos sem fundamento”.

O caso remonta a 5 de setembro de 2018, quando José Estorninho, de 53 anos, e Carlos Estorninho, que tinha 47, se envolveram numa briga por motivos aparentemente fúteis na zona alta da vila, à porta da casa onde residia o irmão mais novo.

Segundo o relato de José, a discussão começou porque Carlos “atirou para o meio da rua” a roupa e os pertences que o irmão mais velho ainda guardava naquela residência, que tinha sido da mãe de ambos.

“No dia anterior, ele já tinha feito o mesmo. Para não haver mais chatices, pedi à minha companheira que fosse falar com ele”, relata José Estorninho, acrescentando que o irmão, quando viu a mulher a caminhar na sua direção, foi buscar uma machada.

“Eu nunca o atingi com a machada. Fui eu quem lha tirou das mãos, e depois de ele ter feito um golpe na minha mulher, mas não o atingi com ela, como as pessoas comentam por aí”, conta o homem, que garante só lhe ter dado “uma bofetada” e que só interveio para defender a companheira.

O certo é que Carlos Estorninho acabou por cair e bater com a cabeça no chão, saindo do local para o Hospital de São José, em Lisboa, com lesões muito graves a nível encefálico.

O irmão mais novo morreu a 11 de dezembro, ainda internado em coma no Hospital de Santarém, três meses depois da briga.

Como sempre tiveram relações conflituosas, o arguido confessa que não se inteirou do estado de saúde do irmão até ao dia em que soube da sua morte.

José Estorninho tem consciência dos problemas legais que enfrenta se for chamado a responder pela morte do irmão, num processo que corre no Ministério Público e que ainda não tem acusação deduzida.

“O que eu não quero é que as pessoas digam que eu ando fugido ou escondido. Logo naquela noite, fui eu quem me dirigi à GNR para contar o que se passou, e não me fui embora, estou cá para assumir os meus atos”, explica o homem, que espera que o caso seja esclarecido em tribunal.

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves