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Mais de mais de meia centena de pessoas participaram no dia 11 de setembro, numa visita guiada às escavações arqueológicas no Concheiro Cabeço da Amoreira, em Muge, no concelho de Salvaterra de Magos.

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A iniciativa, integrada nas Jornadas de Cultura 2022, foi guiada pela arqueóloga Célia Gonçalves, responsável pela coordenação dos trabalhos realizados pela equipa multidisciplinar da Universidade do Algarve que tem vindo a realizar as escavações, e começou por uma contextualização da importância dos concheiros de Muge, a nível científico e académico, sublinhando a sua projeção em termos nacionais e internacionais.

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Perante uma plateia muito interessada, a arqueóloga explicou que caçadores recolectores foram comunidades que não conheciam os metais e faziam todas as ferramentas em pedra, não conheciam a agricultura, por isso caçavam.

“Em terra tinham os animais e, ao mesmo tempo, tinham a zona da ribeira de Muge onde encontravam várias espécies de conchas, de moluscos, caranguejos, por isso estabeleceram-se aqui. Foram as últimas comunidades que viveram deste modo. A seguir apareceram os primeiros agricultores”, explicou.

“No Cabeço da Amoreira temos evidências da coexistência desses dois grupos – caçadores recolectores do Mesolítico e agricultores do Neolítico - e sabemos que houve uma interação, até em termos genéticos”, acrescentou.

Os visitantes tiveram também oportunidade de conhecer alguns dos mais de 200 mil artefactos que as equipas têm vindo a encontrar no local em 15 anos de escavações, nomeadamente ossos de animais, que indicam o tipo de alimentação destas comunidades, conchas perfuradas, que serviriam como adornos, e vários tipos de pedras, utilizadas para cortar, raspar peles ou até mesmo caçar.

A identificação dos concheiros nesta região remonta a 1863 e deve-se à ação de Carlos Ribeiro, que desempenhava o cargo de Diretor da Comissão Geológica e que identificou o primeiro concheiro localizado na ribeira de Magos.

Os Concheiros de Muge - concheiros da Moita do Sebastião, do Cabeço da Amoreira e do Cabeço da Arruda – foram classificados em 2011 como Monumento Nacional. Constituem uma das mais importantes estações arqueológicas da pré-história portuguesa, sendo que, desde finais do Séc. XIX até à atualidade, numerosos estudiosos de renome escavaram ou participaram em escavações arqueológicas nos concheiros, publicando inúmeros trabalhos sobre estas estações arqueológicas.



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