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O cónego José da Graça, padre em Abrantes desde 1985, vai responder no Tribunal de Santarém pelos crimes de falsificação, burla qualificada e burla tributária, num julgamento que se inicia no próximo mês de janeiro.

O padre, de 75 anos, na qualidade de presidente da direção do Centro Social Interparoquial de Abrantes (CSIA), é suspeito de ter mantido um esquema fraudulento que lesou o Estado em mais de 200 mil euros, parte deles já devolvidos pela instituição a que ainda preside.

Além de José da Graça, o processo tem um segundo arguido acusado dos mesmos crimes, Pedro Moreira, ex-presidente da Junta de Freguesia de Alferrarede, que começou na instituição como simples terapeuta, foi o braço direito do padre, e acabou por ser quem denunciou o esquema às autoridades.

Utentes “fantasma” para receber mais dinheiro

A burla terá sido cometida no âmbito do “Projeto Homem”, uma valência do CSIA dedicada ao tratamento da toxicodependência, alcoolismo e à reabilitação social.

O “Projeto Homem” dividia-se entre a Comunidade Terapêutica João Guilherme, numa primeira fase dedicada ao tratamento, e em três apartamentos, em Abrantes, Ponte de Sôr e Castelo Branco, onde os utentes residiam na segunda fase do programa, dedicado à reinserção social.

No âmbito dos dois protocolos firmados com os Ministérios da Saúde e da Solidariedade e Segurança Social, o CSIA recebia por cada utente que tinha a frequentar as valências do projeto.

José da Graça e Pedro Moreira são suspeitos de ter adulterado as listagens nominais entre 2011 e 2013, preenchendo-as mensalmente com utentes “fantasma” para receber mais verbas do Estado.

Segundo a Acusação do Ministério Público (MP), a que a Rede Regional teve acesso, foram colocados nas listagens pessoas que estavam presas, que abandonaram o projeto em fase precoce, que nunca chegaram a frequentar a valência, e ainda utentes com problemas de alcoolismo que eram dados como “toxicodependentes” porque a comparticipação era maior.

Padre nega qualquer envolvimento no esquema

Em Janeiro de 2013, quando foi confrontado com a denúncia que Pedro Moreira apresentou contra si e contra o CSIA, José da Graça manifestou-se “estupefacto”, tendo negado de imediato qualquer envolvimento nas irregularidades.

Nas declarações que prestou à Polícia Judiciária (PJ) no âmbito deste processo, o pároco sustentou que a queixa era uma “vingança” de Pedro Moreira, que foi afastado do “Projeto Homem” no final de 2012 pelo próprio José da Graça, quando surgiram rumores de que este teria tido condutas sexuais impróprias com alguns utentes.

O padre garantiu ainda à PJ que eram Pedro Moreira e uma funcionária administrativa quem preenchiam as listagens nominais com os utentes das valências, e que se limitava a assiná-las sem conferir, confiando nos documentos que eram elaborados pelo terapeuta.

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves