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Américo Lopes, o homicida confesso do taxista António Pedro, assassinado em Torres Novas, disse em tribunal que o seu cúmplice, Luís Peixoto, abusou sexualmente de uma das mulheres que ambos sequestraram, quando esta estava inconsciente.

A confissão foi feita esta segunda-feira, 16 de abril, no Tribunal de Santarém, durante a sessão que serviu para as alegações finais deste processo, em que ambos os arguidos estão a responder por mais de 20 crimes, entre os quais homicídio qualificado, profanação de cadáver, sequestro, extorsão e roubo qualificado, cometidos no final de abril e início de Maio de 2017, na zona de Torres Novas.

Após as alegações finais, Américo Lopes quis prestar declarações ao coletivo de juízes e disse claramente que o parceiro no crime (com quem partilha atualmente a cela no Estabelecimento Prisional de Leiria), violou uma das mulheres que sequestraram e roubaram, quando esta estava inconsciente sob o efeito de três comprimidos “Lorenin”, e que posteriormente foi deixada num parque de estacionamento junto à estação do Entroncamento.

O arguido disse mesmo que nunca “seria capaz” de praticar os atos alegadamente cometidos por Luís Peixoto, e pediu mesmo desculpa à vítima, acrescentando que até lhe “puxou a roupa para a deixar composta”.

Apesar da vítima, que foi ouvida durante o julgamento, não ter memória destes acontecimentos, a Procuradora do Ministério Público (MP) já tinha pedido a condenação de Luís Peixoto por este crime, tendo em conta os vestígios biológicos detetados na sua roupa pelos exames forenses que constam dos autos do processo.

Lágrimas de crocodilo

De resto, Américo Lopes confessou ainda que ambos assassinaram o taxista António Pedro e que ocultaram o cadáver numa zona de mato perto da Meia Via, Torres Novas, mas teve dificuldade em explicar claramente os motivos que terão levado os dois homens a acabar com a sua vida, já depois de lhe terem roubado o dinheiro, os cartões multibanco e as jóias.

Segundo o seu relato, agiram por impulso depois de perceber que António Pedro iria denunciá-los às autoridades, caso o deixassem ir em liberdade.

Questionado sobre os pormenores do crime, o arguido disse que foi ele quem lhe atou as mãos, mas ambos puxaram a meia de nylon que o estrangulou, e ambos arrastaram o cadáver até ao local onde foi encontrado.

Quanto às facadas, Américo Lopes assumiu a sua autoria, já depois da vítima não dar sinais de vida.

Recorde-se que António Pedro tinha sido testemunha contra Américo Lopes num processo de burla qualificada, mas o arguido não assumiu que o homicídio tivesse sido uma vingança planeada e deliberada por esse facto.

Américo Lopes aproveitou ainda a oportunidade para pedir desculpa a todas as vítimas, mas sobretudo à viúva do taxista, confessando-se “arrependido” do que tinham feito.

Apesar das insistentes tentativas do advogado de Luís Peixoto para que ele também falasse na audiência, para contradizer as declarações do cúmplice, o arguido optou por remeter-se ao silêncio.

Condenados em “pena exemplar”

Nas suas alegações finais, a Procuradora da República pediu ao coletivo uma “pena exemplar” para os dois arguidos, tendo em conta a “violência usada” para os cometer.

Foram, segundo o MP, “condutas muito violentas, com grande sangue frio”, agravadas pelo facto de terem mostrado “grande frieza durante o julgamento, como se não estivessem a ser julgados”.

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