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Arlindo Consolado Marques, um dos mais conhecidos ativistas ambientais da zona norte do Ribatejo, vai apresentar queixa-crime no Ministério Público (MP) contra os proprietários de uma empresa de Torres Novas que é suspeita de fazer descargas ilegais de efluentes numa ribeira que desagua no Rio Almonda.

Isto porque, segundo relata a própria vítima, terá sofrido agressões físicas, ameaças verbais e uma tentativa de atropelamento com o seu filho menor dentro do carro na segunda-feira, 25 de julho, quando estava parado na Estrada da Sapeira, junto a um curso de água que exalava um cheiro pestilento.

"Eu estava ali parado quando, de repente, saiu um homem de um carro que me mandou logo um murro no peito e me mandou sair dali", contou Arlindo Marques à Rede Regional, acrescentando que nem sabia quem era o agressor.

"Ele conhecia-me, disse que eu era aquele que andava a publicar vídeos na Internet e que não tinha nada que estar ali", acrescentou a vítima, que recusou ir embora por estar num caminho público.

Pouco depois, chegou outro carro com três indivíduos, um deles o filho do homem com quem Arlindo Marques discutia. Ao passar pelo seu carro, travou e fez logo de seguida marcha atrás, tendo embatido com grande violência no carro do ambientalista, que tinha o seu filho de 10 anos dentro do veículo."Isto não se faz, podiam ter aleijado a sério o miúdo, que desatou a chorar", afirma.

As imagens da colisão são visíveis no vídeo que Arlindo Consolado Marques publicou na sua página do Facebook. Segundo relatou à Rede Regional, só se apercebeu da identidade dos alegados agressores no meio da tremenda confusão que se gerou no local: são pai e filho, proprietários da Fabrióleo, uma fábrica que tem sido apontada como uma das principais poluidoras da Ribeira da Boa Viagem, que desagua no Rio Almonda.

"Além de me ameaçarem, ainda me disseram que os meus vídeos estavam a dar-lhes cabo da vida. Eu nunca os identifiquei em nada, limito-me a mostrar os focos de poluição", afirma Arlindo Marques, prometendo que vai até às últimas consequências.

"Não tenho medo nenhum desta gente, que só me dá mais força para continuar. O que me revolta é que nem pelo meu filho, uma criança, tiveram um bocado de respeito", acrescenta.

A Rede Regional contactou os responsáveis da Fabrióleo mas não obteve qualquer resposta até ao momento.

XTerra Golegã - Fotos Carlos Simões