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O "saco" de vários autarcas da região com os sucessivos problemas e atrasos nas obras do Hospital de Santarém parece ter enchido de vez e, mesmo entre eleitos socialistas, há já quem pareça não ter paciência para mais desculpas e demoras.

A gota de água que fez transbordar o copo foi a suspensão, na segunda-feira, dia 16 de abril, das obras do bloco operatório do Hospital de Santarém, que foi discutida esta quinta feira, dia 19, na Assembleia da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), onde foi apresentada uma recomendação do PSD para que o assunto seja analisado na próxima semana no Conselho Intermunicipal.

Hoje, o presidente da CIMLT anunciou mesmo que vai pedir uma reunião ao ministro da Saúde para perceber o que se passa com as obras. Em declarações à agência Lusa, Pedro Ribeiro, presidente da Câmara de Almeirim e da CIMLT, afirmou que "é inaceitável e impensável que estas obras possam parar, tendo em conta a fase em que se encontram e as condições” que ditaram a sua realização e que continuam por resolver.

O autarca lembra que a necessidade das obras está identificada desde o verão de 2013 e refere que, nesta altura, já nem importa saber de quem é a culpa do atraso mas de administração do hospital e ministério se entenderem e encontrarem uma solução rápida.

Para Pedro Ribeiro, “não serve de nada conversar com a administração do Hospital de Santarém”, pelo que a reunião vai ser solicitada diretamente a Adalberto Campos Fernandes.

“Sobre a capacidade do HDS resolver problemas estamos conversados”, declarou Pedro Ribeiro à Lusa, reafirmando “o maior dos respeitos por um conjunto de profissionais que fazem das tripas coração para terem serviços de referência, num esforço inglório quando se assiste há anos à incapacidade de resolver problemas”.

Como a Rede Regional avançou esta quarta-feira, as obras do bloco operatório do Hospital de Santarém foram suspensas pelo Tribunal de Contas porque na data em que foi registado o compromisso referente ao encargo resultante do contrato, a unidade de saúde não tinha fundos disponíveis para fazer face à despesa.

Não questionando a necessidade da contratação em causa, o TC recorda que a lei não permite que sejam assumidos compromissos sem fundos disponíveis, pelo que as obras foram suspensas e o contrato poderá ter de ser anulado.

A ilegalidade, que se prende com a lei dos compromissos e pagamentos, parece ser apenas formal e poderá ser resolvida rapidamente, o que não inviabiliza potenciais atrasos.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do conselho de administração do Hospital Distrital de Santarém, José Josué, garantiu que o hospital dispõe da verba para pagamento desta segunda fase da obra, e que tem a garantia do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, de que a questão será resolvida “rapidamente” em articulação com o ministro das Finanças.

O assunto foi levantado pelo deputado do PSD eleito pelo círculo de Santarém, Duarte Marques, que responsabilizou o Governo pela suspensão da obra, considerando que a situação acontece devido aos atrasos nas transferências do Estado e ao acumular das dívidas para com os hospitais.

As obras do bloco operatório do Hospital de Santarém têm um valor global de 3 milhões de euros e estão a ser realizadas com fundos do hospital, sem recurso a financiamento comunitário, sendo o contrato desta segunda fase da ordem dos 1,5 milhões de euros.

Inauguração Sabores do Toiro Bravo, em Coruche - fotos João Dinis