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Vítor Catulo

vitor catulo newA Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública, jovem no carácter e madura nos pergaminhos, relevando a sua origem histórica, reflectiu sempre uma posição de vanguarda nos movimentos artísticos portugueses.

Por isso, a importância que ela tem no contexto da Polícia de Segurança Pública e no tecido social do País, que se pretende sempre renovado, cada vez mais culto, mais adulto e preparado para os desafios do futuro, justifica que lhe dedique o tema para a minha "crónica de opinião" de hoje.

Faço-o como aposentado da Polícia que sou e, por crença na Portugalidade, declaro publicamente amor e dedicação à Instituição que me acolheu e me fez crescer, mas a quem também dei muito do meu saber.

Como a vida não pára, depois de reformado, aceitei fazer parte dos órgãos sociais de uma associação de polícias (não tem nada a ver com sindicatos nem sindicalices) e decidimos fazer um Boletim Informativo chamado ALVORADA.

A impressão e o envio pelos correios aos associados de tal boletim, ficava em mais de 1 000 euros, mas a maioria das delegações da Associação recusou-se desde sempre em comparticipar nas despesas.

Quando assumimos a Direção de tal Associação que tinha, e continua a ter, um princípio: “Respeitar os antigos sem esquecer os mais novos”, não nos queríamos ficar apenas pela organização de um Almoço Anual (que qualquer um faz) ou nos fazermos representar nos dias de aniversário dos comandos e das delegações distritais: funções de penacho que não se ajustava, nem se ajusta, às nossas maneiras de ser.

Se não for à bruta, certas coisas não avançam.

As religiões, principalmente a judaico-cristã, castraram os machos e puseram-nos mansos.

Mas fizeram pior: inferiorizaram as fêmeas e obrigaram-nas à servidão dos seus mansos machos ao longo dos séculos.

Um erro colossal que Deus nunca nos perdoou e que estamos a pagar caro, e com juros, todos os dias sem nos darmos conta!

Tive sempre alguns amargos de boca, mas quem não os tem quando se mete em projetos meio chanfrados que envolvem pessoas?

E que dizer das susceptibilidades de várias luminárias que conheço, gente fina mas que morde pela calada e não se quer expor?

Dão-nos um aceno, falam entre eles muito baixinho, em surdina, muito doucement, e dizem-nos: "gostei de te ver, a gente depois vê isso".

Pois... quando a galinha tiver dentes!

O maior dos amargos de boca que tive foi, talvez, o ter constatado que os novos aposentados da Polícia, os da minha geração, muitos dos quais conheço, que “cresceram” comigo na Instituição, estão simplesmente borrifando-se para a Associação e para tudo que seja associativismo em geral.

Uma desilusão terrível que não me tira o sono, mas traz-me preocupado.

"Onde estais, cavaleiros, quando de vós eu preciso?", clamava Rei Artur, que  teve sempre mão firme, e firme resposta teve dos seus pares que, a ombros com Sua Majestade, defenderam aldeias, estradas, fortes e o povo que era deles.

Temos de ser um bocado mais à inglesa, russa, coreana, japonesa ou norte-americana: esses tipos adoram os heróis da Pátria e mostram-no em público, sem terem vergonha de o fazer. Até tiram fotos com os veteranos que mostram, orgulhosamente, nas redes sociais.

Em Portugal temos vergonha de o fazer, melhor dizendo, parece que temos inveja - uma certa ciumeira - de manifestar apreço por alguém e de elogiar o próximo. É sempre a arrasar o parceiro! 

Mas a Banda da PSP foge à regra porque não é mesquinha. É culta e adulta e dá-nos música requintada, soberba e até corriqueira para quem queira.

Proporciona momentos de sublime espiritualidade e de harmonia sensorial a quem já a tenha ouvido tocar.

É muitas vezes vista, injustamente, como um local de gente privilegiada que nada faz e tem sido muitas vezes usada como pedra de arremesso para os sindicatos obterem melhorias e mais valias para outros departamentos.

Aconteceu há poucos dias mais um episódio destes, que eu considero triste, com alguns sindicatos a mostrarem publicamente a sua insatisfação por se terem investido 80 000 € (uma fortuna que constitui cerca 0,080% do Orçamento de 2017 da PSP) para os nossos colegas adquirirem alguns instrumentos musicais e equipamentos após um jejum de 10 anos sem qualquer investimento.

Não concordo com este tipo de argumentação e que se tomem “formas de luta”a apontar o dedo a camaradas de profissão (que o são, e de pleno direito, conforme a Portaria nº 290/16, de 15 de novembro).

Tais atitudes de "dedo duro", usando a expressão dos nossos bons irmãos brasileiros, revelam pouca elevação. Não pactuo com tomadas de posição como estas e gostaria que mais camaradas meus estivessem comigo, publicamente, a dizer o mesmo.

A quem só vê soluções no imediato e reivindica apenas os interesses de determinados sectores, lembro que a Polícia é um todo, uma entidade única e indivisível, em que cada polícia desenvolve, na sua área específica, algo de bom que nem sempre é visível, mas que o resultado final acaba por ser, se todos quisermos, harmonioso, equilibrado e afinado como uma orquestra.

Basta apenas aos nossos, alguns, sindicalistas terem um pouco de sensibilidade e bom senso e não se porem a fazer comparações com o que não se pode comparar: cultura e sapiência é uma coisa, prevenção e combate ao crime é outra. Ou como dizia a outra: "estar morto é diferente de estar vivo".

 

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis