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SÓNIA LOBATO, Jurista

O medo congela o passo. Seja um passo atrás para tomar nova direcção, seja um passo em frente para tomar balanço no caminho já escolhido.

Medo é o sentimento que impera na vida das pessoas.

A sociedade vive debaixo do medo, e pior, cultiva o medo, como que uma herança a preservar para futuras gerações. Por esta hora, já muitos pensarão que estou a dizer um disparate, ou que tenho a boca cheia de demagogia. Ai sim? Então, façamos um simples exercicio, do dia a dia: quantos dizem “não” a um pedido que um colega de trabalho, de quem não gostam nada, porque passa o tempo a espezinhar e a dizer mal de vós? Quantos dizem “não” a favorzinhos ou jeitinhos que velhos/novos amigos pedem, porque exercem funções num ou noutro lugar, com informação privilegiada? Quantos dizem “não” gosto da tua companhia? Quantos dizem “não” aos caprichos dos filhos? Quantos dizem “não” ao prolongamento de relacionamentos que fazem mais mal que bem? Quantos dizem “não” gosto mais de ti? Quantos dizem “não”, podes continuar porque não tens as competências técnicas para o cargo? Quantos dizem “não” a uma cunha, mesmo sabendo da ineptidão da pessoa para o lugar?

Há medo da mudança. Há medo da verdade. Há medo em dizer “ não quero, não gosto, não sinto.

Sendo esta a base que cada individuo fomenta no dia a dia, junto dos seus, em que medida isto tem impacto na forma como exercemos a nossa democracia?

O impacto é brutal, basta ver a abstenção e as escolhas validadas sobre mais do mesmo. Na generalidade, o motivo que moveu votos, em mais do mesmo, foi o mesmo que moveu os abstencionistas: o medo. O medo da mudança nunca acontecer (e por isso pouparam-se a descarregar voto); e o medo da mudança que pudesse, eventualmente, acontecer.

A mudança potencia perda de emprego, manutenção de cargos, hipotéticos favores ou privilégios e garantias, para este e para aquele. E muitos, mesmo conscientes de que as coisas estão mal, olham para as suas vidas de forma egoísta, porque enquanto chega para eles, não merece a pena validar a mudança. E pasmem-se: muitos deles reclamam do estado das coisas…

Uma sociedade onde a hipocrisia se deixa abraçar pelo medo, jamais evoluirá.

Temos que semear o “não”, temos de o saber ouvir. Mas comecemos por dizê-lo. Pregar o azeite, e não chegar – sequer – a vinagre, é exemplo triste que deixamos aos nossos seguidores. E julgo que todos queremos um amanhã melhor.

Por fim, quero dizer que este é o meu último artigo de opinião neste espaço. Ao longo de quase dois anos, partilhei ideias, criticas, sugestões, episódios da vida, informações, e desabafos. E fi-lo sempre com uma clara pretensão, (não, não foi passar a ideia de “mau feitio” ou “refilona”): despertar e sacudir o medo que há em nós, qualquer que fosse a área.

Agradeço a todos os que me acompanharam, até mesmo aqueles que discordaram (e discordam). Não há que ter medo de falar, há, sim, que procurar ser ouvido. Precisamos de uma escuta activa.

Um bem-haja a todos, e boa saúde. Até um dia, por aqui ou noutro desafio.

Sónia Lobato

Jurista

Viriato no Castelo de Almourol